2 de jan. de 2011

Uma propagandinha, pois não?

No último dia 18 (Dez/2010) realizou-se o evento de lançamento das antologias MARGINAL: Contos de Periferia e POESIA SUBURBANA – Entre trilhos e versos, no Espaço

Cultural Euclides da Cunha, no Cocotá – Ilha do Governador.

Foi um dia maravilhoso, não só pela expectativa em relação às antologias organizadas por Adriana Kairos, mas principalmente pelo clima descontraí-do e alegre da festa de premiação, tão distante dos rituais e formalismos comuns a eventos desse tipo. Tal clima, creio eu, foi o resultado da personalidade e do temperamento de Adriana Kairos, que tem todo o jeito de mãezona. E o evento mais pareceu uma reunião familiar, entre autores e convidados, muito parecido com o que fiz no lançamento de "Cacos da Memória". Ave! Adriana.

Mas deixemos de tecer loas ao evento e à Dri, que puxa-saco eu não sou (ah ah ah). Vamos logo ao título do texto.

Li as duas antologias, de cabo a rabo, no dia seguinte ao lançamento, inclusive os meus textos, pois gosto muito de lamber as crias. Não sou crítico literário, sou leitor antigo e autor neófito. Contudo, recomendo MARGINAL (e poderia deixar de recomendar? ah ah ah): há nesse livro contos muito bons que nos mostram a realidade periférica que só estamos habituados a ver pelos olhos da televisão e jornais, inclusive dois ótimos da Adriana Kairos, no final (eu já disse que não sou puxa-saco, pô!). Nomeadamente recomendo "Desassossego", de eusinho mesmo (ah ah ah)(Adriana, eu ainda não me acostumei a usar o rs rs rs). Brincadeirinha, gente!

Quanto a POESIA SUBURBANA, devo dizer que não sou poeta (mas como gostaria de ser!). Tenho, porém, algumas palavras que devem ser ditas: A poesia é necessária; A poesia é tudo o que procuramos na vida, quase sempre sem que o saibamos, e nos perdemos procurando ninharias. E tenho dito! Anotem isso; talvez venha a ser tema futuro de uma crônica minha. Por ser a poesia essencial à vida, super-recomendo a antologia.

Mais sobre as antologias em HTTP://kairospoesis.blogspot.com

Agora os procedimentos para quem desejar adquirir as antologias

Enviar e-mail para: adriana_santos_kairos@hotmail.com encomendando as antologias (uma ou outra ou as duas), se possível já com o comprovante de depósito bancário na conta corrente da Adriana: Banco do Brasil, ag 3652-8, cc 47163-1. Acrescente 5 reais por pedido para correio (Brasil).

Preço das antologias: MARGINAL – 20,00; POESIA SUBURBANA – 18,00.


Em 02 de janeiro de 2011

29 de out. de 2010

Cumprindo uma assertiva


Quando iniciei este espaço tinha uma proposta, - não para vocês, mas para mim -, qual seja, escrever pelo menos um texto por mês. Neste, já estamos a 29 e ainda não havia escrito uma linha sequer. Mas ainda há tempo, vamos lá.
Estamos a menos de 40 horas do início da votação que irá decidir os rumos do país e o futuro de todos nós, como diz a propaganda eleitoral. Não é pouca responsabilidade, né não? Mas sosseguem, não vou fazer campanha para qualquer dos dois candidatos. Quero apenas dizer-lhes que costumo assistir à propaganda eleitoral gratuita na televisão e desde o início não entendia o que a candidata do PT queria dizer ao referir-se a si própria como "pessoa assertiva". Ontem não resisti e fui ao dicionário; assertiva, s. f. – afirmação, proposição. A candidata quer dizer que é propositiva, que tem propostas. Ah, bom!
Candidata, vamos combinar: seja assertiva o mais que puder, mas use um sinônimo que o povo entenda. Mire-se no exemplo do seu padrinho, de fala simples, mas comunicativa, na medida do povo, ou até no seu opositor, que também é assertivo, porém consegue definir-se sem o uso desses palavrões. Outra coisa: evite tergiversar. Se for de absoluta necessidade, enrole simplesmente. Eu considero que assim a sua fala será mais eficaz.
E quando assumir em Brasília como a primeira Presidenta do Brasil, sucedendo ao Presidento Lula (é o que as pesquisas profetizam), lembre-se: não tergiverse com as suas assertivas – o povo considera isso muito feio!
Bom voto para todos e viva a democracia!

 
29 se outubro se 2010, + ou – 18 horas

1 de set. de 2010

A minha casa fazia fumaça...


... e tinha um gato que namorava no telhado. Da fumaça, lembro-me que meu pai contava um "causo" de um amigo seu recentemente chegado de Portugal. Dizia o gajo ao meu pai, na primeira manhã vivida no Rio de Janeiro, espiando espantado as casas do bairro: "- Ó pá, as casas daqui não fazem fumaça?". Além da surpresa, talvez estivesse o patrício preocupado com o desjejum, que na sua aldeia, como na de meu pai e em todas as outras do Portugal de então, era precedido pelo fumaçar das chaminés. Apesar da ausência de chaminés fumarentas, não ficou o amigo de papai sem o café da manhã: àquele tempo, no Rio de Janeiro, se cozinhava em fogareiros a carvão.
Lembro-me da casa da minha infância, com sua chaminé a fumegar aos primeiros raios de sol, pela manhã e ao entardecer, no preparo das refeições; e do nosso gato, enroscado pelos cantos ou chegando de seus longos passeios pelas matas, – terror dos ratos e exímio caçador de perdizes -, e à noite senhor dos telhados.
Saindo dos cacos da memória e voltando aos tempos atuais, tenho agora uma casa que estou reformando e ampliando. Esta também fazia fumaça. Foi construída em 1938.
Nas lides da reforma, ao destelhar uma pequena parte da cobertura, encontrei os vestígios de uma antiga chaminé ainda enegrecida de fumo; o equipamento fora demolido pelo proprietário anterior, restando apenas a boca de saída na laje, além de outros sinais sob os azulejos da cozinha. Algumas casas em Marechal Hermes ainda têm chaminé, mas obviamente não mais fazem fumaça.
Destelhando mais um pouco, meu filho Daniel encontrou uma ossada!
- Pai, não é de sagui (em Marechal há muitos), é maior, parece de um lagarto grande,disse, abrindo os braços.
Fui ver.
Era de um gato.
Ao contrário do nosso gato, deste não sei a história. Não é difícil imaginar, contudo, que teria sido vítima de comida envenenada por "chumbinho", o famigerado e proibido veneno para ratos, que acaba por vitimar, aleatoriamente, animais de outras classes e contaminando o meio-ambiente. Sentindo-se mal, confuso e desamparado da vida, o pobre recolheu-se ao lugar que mais lhe transmitia aconchego e segurança: o telhado. Onde terminou o seu tempo.
Já o nosso gato simplesmente desapareceu, não retornou de suas andanças. Não creio em veneno, mas se a minha imaginação e as circunstâncias de seu desaparecimento não me enganam, foi chumbinho também, não o de ratos, mas chumbinho de chumbo mesmo: um espingardaço à falsa-fé. Fim menos aviltante, mas igualmente inglório.
Encontrei ainda um macaco (mecânico), uma chave de rodas e uma de fenda, tudo em ótimo estado; era caminhoneiro o proprietário anterior, agora viajando nas estrelas. Seu caminhão já não enguiça, não precisa de ferramentas. Vou apropriar-me delas, portanto.
Outra ossada (não, a minha casa não é um cemitério), esta sim, de um filhote de sagui, além de um troféu do IV TORNEIO DA BANDEIRA e mais de três dezenas de medalhas (ouro e prata) de vários esportes olímpicos – fragmentos ou cacos da história de um atleta polivalente anônimo.
Vou guardar estes objetos, inclusive o crânio do gato, como lembrança ou registro arqueológico da reforma da minha casa.
Só não encontrei, lamentavelmente, uma velha arca recheada com dobrões de ouro.

15 de ago. de 2010

Pesquisa escolar - 2


Proposta da professora: "Pesquise, recorte e cole 5 figuras de animais úteis e 5 de animais nocivos. Faça uma frase para cada animal.".
Muito bem, eu estava novamente envolvido num trabalho escolar de Yasmin, com ela ao meu lado no sofá, folheando revistas e jornais. As revistas disponíveis eram a Domingo, do JB: moda, culinária e por aí. Nada do que precisávamos. Outras revistas eu não tinha. A muito custo conseguimos as figuras de um cachorrinho de madame, um cavalo gaiato e dois camarões petistas (acho). Tive de descartar a figura de uma galinha por ser muito grande, incompatível com o espaço de colagem (outra dificuldade nessas horas: a escala).
E eu já estava irritado com tanto papel espalhado pelo chão e a impossibilidade de um final feliz na pesquisa. E maldizendo a professora.
Resolvi:
- Se não temos figuras para recortar e colar, vamos desenhá-las.
E Yasmin desenhou.

Foi divertidíssimo, para ela e para mim, inclusive na elaboração das frases correspondentes a cada animal. Ei-las:


"O cão é o melhor amigo do homem". (o pitbul também?)
"O cavalo ajuda o homem" (o gaiato da figura acima, duvido!)
"O camarão é bonito". (então por que alguns homens dizem: camarão é a mãe!?)
"A galinha dá ovo e pintinho". (e uma boa canja!)
"A abelha dá mel e é peluda". (e apesar de trabalhadeira, faz muita cera!)
"O mosquito faz zzzzzzzzzzzz e pica". (eu só não pico)
"A cobra é venenosa". (como certas pessoas)
"O rato traz doença". (alguns levam os nossos pertences!)
"A barata é porca". (mas a porca não é barata)
"A mosca também". (já pensou, uma porca cair na sua sopa?)

Me senti redimido em relação a outra pesquisa da qual participei de modo não adequado e cujo relato pode ser lido neste espaço. Mas continuo de pé atrás com pesquisas para crianças tão pequenas.

Obs: Os comentários entre parênteses não são de autoria de Yasmin e, obviamente, não fizeram parte do trabalho escolar.


Agosto de 2010
(Revisado em 23/04/2011)