12 de nov. de 2011

POEMINHA SEM MÉTRICA, SEM RIMA E SEM VERGONHA



PRIMEIRO LEVARAM A CAPITAL
(ESTAVA NA CONSTITUIÇÃO)
DEPOIS LEVARAM O ICMS DO PETRÓLEO
(NÃO ESTAVA, MAS FOI ACORDADO NA CONSTITUIÇÃO DE 1988)
AGORA QUEREM LEVAR OS ROYALTIES DO PETRÓLEO
(A CONSTITUIÇÃO DIZ QUE SÃO DA REGIÃO PRODUTORA)
PAREM DE SACANEAR O RIO DE JANEIRO!
É COVARDIA!
(24 ESTADOS CONTRA 2)
É INCOERÊNCIA REGULATÓRIA
(E O FERRO, O MANGANÊS, O ALUMÍNIO, O COBRE, ETC , NÃO ENTRAM NA DANÇA?)
É INJUSTIÇA!
(NÃO SERIA SE TODOS OS MINERAIS ENTRASSEM NA REGRA; NESTE CASO NÃO SERIAM 24 CONTRA 2, NÃO SERIA INCOERENTE NEM COVARDE)
É ROUBO!
(FACE AO EXPOSTO, O QUE PODE SER, SENÃO ROUBO?)
POR QUE FAZEM ISTO COM O RIO DE JANEIRO?
SERÁ QUE É PORQUE NÃO PODEM ROUBAR A SUA BELEZA SEM PAR?

(Quem quiser relembrar toda esta questão pode fazê-lo nas 4 crônicas de março de 2010: "Vô Tônico indignado - 2", "Da Candelária à Cinelândia", "Chupa essa manga, candidato" e "Chupa essa manga, companheiro".)

9 de nov. de 2011

No que dá frequentar sebos


Faz poucos dias comprei um livro (que novidade!) numa feira de sebos na Rua da Alfândega: Estilística da Língua Portuguesa, de M. Rodrigues Lapa, Livraria Acadêmica, 4ª edição, 1965. Paguei R$ 1,00!
O autor, creio ser português e não sei se ainda vive. O conteúdo, como o título indica, trata do estilo ao escrever, dos processos da linguagem, dos arranjos das palavras e da expressividade maior ou menor dos vocábulos, dependendo do arranjo que se faça. Tenho certeza que o livro será bem mais valioso, para mim, que agora vivo metido a escrever, do que o preço pago.
Mas não quero falar-lhes de estilo, cada um tem o seu, embora seja sempre possível e desejável melhorá-lo. Quero falar-lhes de outra coisa, ao final estilo também, senão literário, estilo político. Quero falar-lhes do estilo do politicamente correto, quando envolve o uso de palavras.
De uns tempos para cá tenho ouvido pessoas dizerem comunidade em substituição ao antigo e expressivo favela. O que é comunidade? Numa de suas acepções, conjunto de habitações e seus habitantes num determinado espaço geográfico. Neste sentido Marechal Hermes é uma comunidade, assim como Bento Ribeiro, Oswaldo Cruz, São Gonçalo, Icaraí, Rocinha, Mangueira, Vila Kenedy, Cidade de Deus... Tudo é comunidade! O termo é por demais amplo, geral, abstrato e intelectual. E por dizer tudo, nada diz, ou quase nada! É um substantivo pouco ou nada expressivo.
favela é quase um adjetivo. Quando penso ou falo o substantivo favela, embutidos no termo vêm vários qualificativos: favela é um lugar de habitações precárias, carente de saneamento básico, de serviços e equipamentos públicos, de segurança...; reduto de bandos criminosos e, por conseguinte lugar de violência e medo; e traz em si, até, um pouco da história do nosso Nordeste, que meus esclarecidos leitores conhecem bem, e que só vou aqui mencionar em favor dos meus leitores de além-mar.
Favela é uma leguminosa silvestre, abundante outrora no Morro da Favela, lugar onde o beato Antonio Conselheiro ergueu o seu Arraial de Canudos, no sertão baiano, e contra o qual foram três expedições militares a combatê-lo, no final do século XIX. A saga é narrada por Euclides da Cunha em "Os Sertões". Após o conflito, os soldados retornados não tinham onde morar e para tal subiram o Morro da Providência, no Rio de Janeiro, e construíram lá os seus barracos. O morro passou a ser conhecido por Morro da Favela, uma referência a Canudos, e daí por diante todo aglomerado de construções precárias nos morros cariocas designou-se por favela.
Quando digo favela, digo tudo isto sem precisar dizer! É, como disse, um substantivo-adjetivo, prenhe de significados e estourando de expressividade, por tudo quanto evoca à nossa imaginação.
Outra palavra em voga nos últimos tempos: afro-descendente. Trata-se de um adjetivo gentílico para designar negros, mulatos, etc, no lugar dos adjetivos negros, mulatos, etc. Outra invenção dos ideólogos do politicamente correto que desaconselham o uso de tais adjetivos por serem pejorativos ou até mesmo ofensivos. E o que diz o gentílico afro-descendente? Apenas indica a origem remota da pessoa. Só. Não tem nenhum outro qualificativo para o objeto a que se refere. E se ampliarmos para trás a perspectiva do tempo, veremos que o homo-sapiens surgiu na África e se espalhou pelo mundo; portanto é afro-descendente o japonês e o chinês, tanto quanto o europeu e o africano. Somos todos afro-descendentes: África é a Grande Mãe de todos nós!
E o adjetivo negro, o que nos diz? Não obstante ser também abstrato, nos traz de imediato um qualificativo absolutamente concreto – porque visível – a cor da pessoa. E ainda evoca, neste nosso Brasil, aspectos culturais, tais como a música popular, a culinária, danças e ritos religiosos, entre outros. Mas espera aí, senhor; a palavra afro-descendente também evoca esses aspectos culturais, não acha? Não! Não acho. O negro e a palavra negro é que sempre estiveram ligados à formação da nossa cultura. O uso de afro-descendente é recente e, apesar disso, a palavra já nasceu fraca e descorada. Não tem expressividade.
Não sou ingênuo, porém; sei que palavras como favela e negro/negra são usadas (mais no passado que agora) para desqualificar, discriminar, xingar e ofender. Sei disto muito bem. Justamente por serem palavras expressivas trazem também o preconceito como qualificativo. Mas as palavras não têm culpa; de nada adianta trocá-las. O que discrimina e ofende são os sentimentos que pegam carona nas palavras e se manifestam por outras linguagens, pela entoação da voz, pela expressão facial e trejeitos de corpo do ofensor. As pessoas que ofendem continuarão ofendendo e amanhã as novas palavras (comunidade e afro-descendente) estarão já estigmatizadas pelo preconceito.
Aos ofensores: denúncia e punição! Às palavras: liberdade!
E por já me ter alongado bastante, peço licença aos meus compatriotas, favelados ou não, dentre eles os ideólogos do politicamente correto, para dizer as derradeiras palavras desta crônica, que faz tempo estão a me coçar a garganta:
Afro-descendente é o c*!!! Somos todos negros, brancos, mulatos, mamelucos e cafuzos; somos mestiços de todas as cores e tons; somos BRASILEIROS, com todo respeito!

*Isso mesmo que o leitor pensou.


27 de set. de 2011

Estórias da Carochinha


Sábado (24) levei a minha netinha ao teatro (tenho o privilégio de morar num bairro que tem teatro) para ver João e Maria, que todos vocês conhecem. Se não conhecem, deveriam. Há o que aprender sim, nessas estórias recheadas do que se convencionou chamar de senso comum – a sabedoria popular traduzida em tramas simples e de fácil compreensão.
Digo isto porque ontem (domingo) folheava uma revista quando li a seguinte notícia-crime:
Uma mulher contratou um ex-presidiário para matar outra mulher, sua desafeta. Ao intentar o crime, o homem reconheceu na vítima uma ex-amiga de infância e resolveu poupá-la. Amordaçou-a, encheu-lhe o corpo de ketchup e enfiou-lhe um facão entre o peito e um dos braços, simulando (muito mal) o crime. Tirou foto e levou-a à contratante, que se deu por satisfeita, pagando-lhe 1.000 reais, conforme o combinado. Dias depois a contratante viu-se lograda ao encontrar "algoz" e "vítima" aos abraços e beijos na pracinha do bairro. Não deixou por menos: foi à polícia e deu queixa de roubo! O delegado intimou o "ladrão" e soube de toda a história. Conclusão: os três acabaram indiciados; uma por ameaça de morte, os dois outros por extorsão.
Não pude deixar de relembrar de outra estória: Branca de Neve e os Sete Anões.
Para quem já esqueceu, eu lhes conto um pedaçinho, justo aquele por quase tudo igual ao fato descrito acima. A bruxa-madrasta de Branca de Neve, por inveja de sua beleza, mandou que um serviçal a levasse à floresta e a matasse, trazendo-lhe como prova o coração da princesa. O homem apiedou-se, libertou a princesa e matou um cervo, levando à bruxa o coração do animal.
Descobrindo-se lograda, o que fez a bruxa-madrasta? Foi dar queixa à polícia, ao rei, ao chefe da guarda ou lá a quem quer que fosse? Não. Engoliu o sapo, consultou o espelho mágico para descobrir o paradeiro de Branca e foi pessoalmente tentar dar cabo dela, oferecendo-lhe a maçã envenenada.
Ahhh, já não se fazem mais vilãs como antigamente!
Todo bom vilão ou vilã tem de ter um mínimo de inteligência! Se não tem, dá no que deu.
Para encerrar, um conselho para as três personagens da notícia supra: aproveitem o tempo em que ficarão trancafiadas para ler as estórias de D. Carochinha. E aprendam, panacas, que até no mundo do crime é preciso ter, senão inteligência, um mínimo de ética.

14 de set. de 2011

SONHOS


Falo daqueles que sonhamos dormindo e sobre os quais não temos o menor controle. Eu, por exemplo, já sonhei que namorava a Angélica, aquela loirinha global com pinta na coxa. Já pensou?! Mas acordei ainda nas preliminares...!!! Foi um tempo em que eu sonhava belos sonhos. Digo isto porque ultimamente tenho sonhado coisas ruins, às vezes até pesadelos. O último sonhei-o na madrugada de domingo para segunda (12/09). Foi assim o sonho:
Estava eu ajeitando alguma coisa na casa para onde ia mudar, a mesma para a qual já mudei há uns quatro anos, quando, terminado o serviço, entrei na sala e deparei com um homem trepado numa escada e furando uma parede. Era um profissional, velho conhecido, que chamara para fazer um reparo, mas nem eu sabia da sua presença ali, nem ele da minha. Surpreso, gritei: - Pedro Paulo! O homem assustou-se, desequilibrou-se e estatelou-se no chão, desacordado e sangrando. Apavorei-me. Pedro Paulo! Pedro Paulo! Acorda homem. Vou chamar uma ambulância pra te levar no hospital. Acorda, Pedro Paulo!
O homem acordou meio abobalhado, abraçou-se a mim e nos erguemos abraçados. Em seguida, acordei. Que alívio! Ufa!
O interessante é que esse homem não era Pedro Paulo, mas Zé Roberto, como disse um velho conhecido que não vejo há mais de vinte anos. Por que o chamei várias vezes de Pedro Paulo?
Pela manhã, no café, tentei decifrar o sonho, se é que é possível interpretar sonhos. José do Egito fez isso muito bem, prevendo a seca prolongada, mas contou com a ajuda prestimosa de Deus. Eu só tinha a ajuda de minha mulher.
Bem, Pedro Paulo é o corretor que está vendendo um apartamentinho meu, o que ainda não conseguiu, não por falta de comprador, mas porque o imóvel está ocupado por um inquilino que se demora em desocupá-lo. Roberto é titular da imobiliária que fez a locação e que agora está tentando desocupar o imóvel a meu pedido. Havia uma promessa do locatário em mudar do apartamento no dia 10, mas eu não estava certo, pois outras tantas promessas haviam sido descumpridas. Não pude me comunicar com o Roberto, portanto não sabia o que de fato acontecera. E a tensão foi aumentando...
Para nós, eu e minha mulher, estava claro: a mudança não era senão a do inquilino, desocupando o nosso imóvel, já que o sonho envolvia o Pedro Paulo – corretor – e o Roberto, da imobiliária. E mais: a circunstância onírica de eu me levantar abraçado a Zé Roberto/Pedro Paulo, indicava um final feliz para a estória. Pois.
E afinal, perguntarão vocês, o inquilino mudou-se?
Ainda não. Não pude conversar com o Roberto na segunda-feira, falei com ele na terça. Na quarta (hoje/14) o inquilino tem agenda na Caixa para assinar escritura de compra de um apartamento por ela financiado, negócio que vinha perseguindo há meses. Mais um final de semana para pintura e se muda dia 24, entregando as chaves a 26. Aleluia!
Creio que o meu sonho foi uma espécie de pressentimento ou premonição de fatos vindouros, a confirmar dia 26. Ou não. Mas agora estou confiante.
E por que nos conta tudo isso, Senhor Vô Tônico, estarão intimamente perguntando os caríssimos leitores. Simples, porque não tinha nada melhor para lhes contar. E não me venham pedir que interprete seus sonhos. Estou fora dessa! Cada um é o melhor intérprete para seus sonhos, quer os que se sonham dormindo, quer os que se sonham acordado.
Nessa questão de sonhos que se sonham dormindo, só quero uma coisa: voltar a sonhar com a Angélica pra terminar o que apenas começara quando acordei, se é que vocês me entendem, há! há! há! há!
Perdão, leitores, perdão.