Mal comparando, dizia eu no último post, o Brasil sofre da maldição da riqueza. Vamos então comparar.
Somos um país imensamente rico em recursos naturais: jazidas minerais generosas, fauna e flora diversificadas, clima variado e águas abundantes (ainda); imensidões de terras agriculturáveis, que nos permitem ser “o celeiro do mundo”. Então a nossa economia se mantém historicamente com as exportações de commodities minerais e agrícolas, de baixo valor agregado.
Já os países ou territórios pobres em recursos naturais, como Japão e os chamados tigres asiáticos (Hong Kong, Coreia do Sul, Singapura e Taiwan), entre outros, e mais recentemente a própria China, não podendo contar com riquezas naturais e precisando crescer, optaram por investir fortemente em educação, pesquisa, inovação tecnológica, industrialização. Tornaram-se desta forma exportadores de produtos industrializados com alto valor agregado. Nem precisa dizer quem leva a taça do desenvolvimento econômico.
| Suécia 1958 - Brasil campeão - Pelé, Garrincha, Didi, Nilton Santos... |
Trocando o campo econômico pelo campo do futebol.
Sempre fomos celeiro de excepcionais jogadores de futebol. Nas cinco Copas que conquistamos eles estavam lá, com técnica e arte, fazendo a diferença, decidindo partidas, frente a um futebol, no geral, de estilo europeu, mais duro, baseado na força física e na disciplina tática. A partir de 1958 conquistamos cinco Copas praticamente à custa desses craques excepcionais. Não havia força ou disciplina tática que superasse a habilidade dos craques.
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| Chile 1962 - Brasil bi - Garrincha, Didi, Nilton Santos; Amarildo substituiu Pelé. |
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| México 1970 - Brasil tri - Pelé,Tostão, Jairzinho, Rivelino, Gerson... |
Enquanto isso, os europeus admiravam o futebol sul-americano, em especial o do Brasil, Admiravam e se inspiravam nele.
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| EUA 1994 - Brasil tetra - Romário, Bebeto... |
Após a derrota para o Brasil em 2002, no Japão, a Alemanha resolveu mudar tudo no seu futebol: investiu forte nas categorias de base, centros de treinamento e apoio ao atleta, reformulou conceitos e reciclou técnicos. Mais de uma década de planejamento, investimento e trabalho. Os resultados surgem agora. A Alemanha é realmente um time, organicamente, funcionalmente, sem depender da excepcionalidade de um ou vários craques, tendo, porém, muitos bons atletas. E nos superou até no toque-de-bola, historicamente a característica do nosso futebol.
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| Japão 2002 - Brasil penta - Ronaldo, Kaká, Ronaldinho, Rivaldo... |
E na safra atual o Brasil teve apenas um craque, o Neymar, que não jogou contra a Alemanha, e mesmo se jogasse…
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| Brasil 2014 semifinais- Festa teutônica |
E é isto, meus queridos: ficamos pra trás também no futebol porque sempre tivemos grandes craques e portanto não investimos em outros aspectos essenciais ao esporte. O resto são detalhes.
Sei que não serve de consolo, mas tivemos uma copa, no dizer de muitos analistas, excepcional: maior média de gols dos últimos tempos, várias seleções sem tradição despontando no cenário e incomodando as favoritas, várias campeãs caindo já nas fases preliminares e o imprevisto “mineiraço”. E mais: não aconteceram grandes problemas relacionados ao evento e os brasileiros bateram um bolão, recebendo com simpatia e cordialidade os estrangeiros. E mais ainda: a polícia do Rio desbaratou uma quadrilha internacional de cambistas – golaaaço!
Por tudo isto, é ou não é a Copa das Copas?
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