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22 de nov. de 2017

Dialogar é preciso

Num desses dias que ando pela cidade com vagar e olhos de ver, reparei numa escultura que se exibe no jardim em frente à prefeitura, na Cidade Nova.
Antes de escrever estas linhas, pesquisei na internet a autoria da obra para dar o crédito necessário e lustrar o meu verniz cultural.
A obra é de Ascânio M M M, um artista que despontou nos anos 1960/70, agora famoso no Brasil e no mundo.
Mas estas palavras não são para falar de arte, movimentos artísticos ou da biografia do Ascânio, que para tal me faltam os meios. São para falar daquela escultura. E do meu diálogo com ela.
Sim, a escultura parece convidar os passantes a observá-la, contornando-a. Aceitei o convite. E vi múltiplas formas se revelarem a cada passo meu, a cada ponto de vista. E a beleza da obra se desvendou integralmente a mim, que aceitei admirá-la deste modo.
É isto que falta no mundo atual, principalmente no Brasil: ver com olhos de ver, ouvir com ouvidos de ouvir; observar os fatos, a realidade, e ouvir o que ela nos diz. E o que dizem as outras pessoas. E refletir sobre o que se vê e o que se ouve. E entender, se possível.
Falta dialogar, meus queridos! 

21 de jun. de 2015

Tirando uma flecha do meu peito

No post anterior, Parem o bonde que eu quero descer (mas não há bonde), falei de situações de rua que nos trazem  à alma desassossego e angústia. Foi diferente neste sábado, 20/06/15. Saí à rua para ver e participar do 2º FESTIVAL CARIOCA DE ARTE PÚBLICA, agora em Marechal Hermes durante os próximos 60 dias. O festival acontece em comemoração ao 450º aniversário da cidade do Rio de Janeiro, no âmbito da lei municipal 5.429/2012, que dispõe sobre apresentação de artistas de rua nos logradouros públicos da cidade.
A minha participação foi mínima: ler um manifesto ao povo de Marechal Hermes, logo ao início das manifestações culturais. Mas bom mesmo foi o que houve antes e o que veio depois.
Concentração na praça Monte-se. Cheguei quando se iniciava o cortejo pela calçada central da avenida, em direção à praça XV de Novembro, local do evento.
Ah! meus queridos! Fogos estourando no ar, aquele som mambembe da fanfarra, o padroeiro São Sebastião conduzido à frente, e o líder do grupo TÁ NA RUA, organizador do evento, em charrete puxada a cavalo, anunciando a festa. E palhaços, e capoeiristas, e bailarinas, e pernas de pau… Ai, que lindo!
Tive de afastar-me para me recompor da emoção. Não sei o que acontece comigo! Nostalgias da infância? A música do Zé Pereira no arraial da santa? Parece que aquela música me acompanha em diferentes formas e circunstâncias. Mas então eu não me emocionava em lágrimas, tudo era muito natural como são naturais as crianças. Será que então eu era mais homem que agora? Ou agora sou mais menino que então?
Recomposto, voltei  ao cortejo e cheguei à praça de alma lavada, para ler o manifesto. Depois foi um suceder de atrações, até às 19 horas: circo, dança-afro, dança cigana, capoeira, teatro de rua; uma festa da diversidade cultural e do povo carioca; uma festa para os olhos e para a alma, como Marechal jamais viu!


A cultura, me parece, é um denominador comum que aproxima, solidariza as pessoas; não aparta nem divide, mas soma. Foi o que vi na praça XV de Novembro, em Marechal Hermes.