4 de set de 2014

Amigos para sempre

Era o ano de 1965. O carioca chegava, de terno e gravata e mala na mão. Já se vê que não era um carioca típico. Da varanda do segundo andar, os “bichos” chegados anteriormente davam as boas vindas jogando bombas d’água – sacos plásticos cheios e amarrados na boca. O carioca não se livrou do bombardeio amigo.
Já no alojamento do 2º andar, um “bicho”, vizinho a três armários do seu, lhe entregou vassoura e rodo para que fizesse faxina nos banheiros. O carioca não se abalou, arrumou suas coisas no  armário e foi fazer a faxina, já acostumado, pois servira quatro meses no exército.
O que o mandara à faxina era “barriga verde”; barriga verde não, estes são do litoral, ele era da serra catarinense, de Lages, embora nascido em São Joaquim; e se formara no Ginásio Industrial de Florianópolis, que àquela altura ainda não era Floripa.
Veio o “baile do bicho”, evento oficial de boas-vindas aos calouros. O catarinense queria ir mas carecia de roupa adequada. O carioca nem sabia dançar, tinha terno e gravata, o catarinense foi bailar.
Foi o início de uma amizade duradoura.
Formaram-se e serviram ali mesmo, na escola. Arrimo de família, o do sul trouxe mãe e irmã. Moraram os quatro na mesma casa. Como uma família. Os dois, não sendo irmãos, eram.
Mas a vida que promove encontros também engendra separações: o catarinense casou-se, o carioca foi-se ao Rio de Janeiro. Ainda se viram algumas vezes, depois desgarraram-se, perderam o contato. Nunca mais souberam um do outro.
2014. Mais de trinta anos se passaram.
Nome completo do catarinense no Google, vários verbetes, aposentadoria de promotor público, endereço, telefone… Viva a Internet!
E lá se foi o carioca ao encontro do passado.
Que bom rever o amigo, saber que está bem, apesar de viúvo; que bom rever parentes do amigo, irmão, irmã, cunhada; que bom conhecer filhas e netas do amigo. Que bom caminhar com ele no calçadão da praia, rememorando, jogando conversa ao vento e olhando as moças que passam.

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Me faça esse carinho