1 de jul de 2010

Um Caco esquecido




Recebi de Nélia Oliveira, historiadora portuguesa da Branca, três publicações tratando da história da região de Albergaria-a-Velha, a saber: Auranca e a Vila da Branca, e Cine-Teatro
Alba – 50 anos
, ambas edições da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha; e Ribeira de Fráguas – a sua história, esta em co-autoria com Nuno Jesus e editada por CEDIARA – Centro de Dia para Idosos da Ribeira de Fráguas.
Nem precisa dizer que me deliciei lendo a história de Ribeira de Fráguas; o livro é bem documentado do ponto de vista histórico e apresenta vasta iconografia local – foi um passeio nostálgico pela minha infância!
Mas não podia acreditar no que li na página 144 do livro de Nélia e Nuno: fatídico incêndio destruíra a igreja paroquial de Ribeira de Fráguas, na madrugada de 3 para 4 de Maio de 1953!
Seria possível?! Na minha memória esse incêndio ocorrera mais tarde, pouco depois de nosso retorno ao Brasil em janeiro de 1957, tanto que nem o mencionei nos meus "Cacos da Memória", cujo relato termina com a chegada da família ao Rio de Janeiro. Forçando os arquivos do tempo, constatei que naquela ocasião se dera uma campanha entre os imigrantes para angariar fundos tendo em vista a construção de novo templo em substituição ao que pegara fogo. Minha memória não registrara o sinistro, mas a posterior campanha de doações como se o próprio fora.
Àquela altura do incêndio eu estava com 6 anos e 7 meses e prestes a ingressar na escola primária; que interesse pode haver para uma criança dessa idade, em igrejas e incêndios de igrejas?

A igreja depois do incêndio. Foto enviada recentemente
(mar/2013) por Nuno Jesus, de Telhadela - Portugal
O curioso é que tempos mais tarde estive na igreja incendiada, alegadamente para assistir à missa dominical, e não registrei as consequências do incêndio! O adro, as paredes da nave e a torre sineira estavam com aspecto normal por fora; arderam-se as madeiras – o telhado e o forro, portas e janelas, os altares e retábulos, os bancos. Nélia informa que as missas realizaram-se durante algum tempo naquele templo, precariamente, improvisando-se um telhado de palha. Não vi nada disso! Quando entrei a missa havia acabado, as pessoas estavam de pé e eu no meio delas, pequeno e sem horizonte. Não olhei para cima ou para os lados; naquele dia eu só tinha olhos para os meus lindos sapatos de verniz!
Junho de 2010

2 comentários:

Teresa disse...

Puxa! Imagino sua emoção ao descobrir tudo isso!... Os lindos sapatos de verniz foram mais importantes que o incêndio da igreja...
Gostaria de ver os livros. Acredito que mamãe também apreciaria esse reencontro com as aldeias da Branca e Ribeira de Fráguas.
Já trocou com a Nélia essas impressões ou 'esquecimentos'? Creio que como historiadora ela iria apreciar esse relato...
Beijos! Vou ficar esperando o empréstimo dos livros...

Joao Antonio Ventura disse...

Já sugeri a Nélia que leia a crônica. Com certeza, levarei os livros quando for a São Gonçalo. Abraços.

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