25 de mai de 2014

Às voltas com o bruxo

Dia desses fui ao Centro  e passei pela Cinelândia, onde pretendia lanchar antes de tomar o Metrô de volta a casa. Deparei-me com a feira de livros que volta e meia estaciona por lá, e circulei entre as tendas à procura de algum alimento para o espírito que me não fosse indigesto ao bolso. Interessei-me por dois títulos de crítica literária sobre a obra de Machado de Assis. Eliminei um, para não eliminar o lanche. Ao sentar-me no bar Amarelinho, já lia “Tempo e Metáfora em Machado de Assis”, de Dirce Cortes Riedel – professora emérita da UERJ (já falecida).
É a primeira vez que leio um livro de crítica literária; e isto é mais uma peça – involuntária e póstuma – do bruxo do Cosme Velho!




Não vou mentir e dizer-lhes que entendi tudo perfeitamente, que agora sou um expert em Machado. Para ter “fumos” de expert, teria de ler mais, muito mais, nem o resto de vida me daria tempo.
Mas, em que pese a linguagem técnica e acadêmica a que não estou afeiçoado,  as muitas referências filosóficas e  de outros críticos que evidentemente não conheço, a autora abriu-me os olhos para novas leituras e releituras do autor. Tanto que estou determinado a reler algumas obras, sob novo olhar, especialmente Quincas Borba, que li apenas uma vez e há muito tempo, e de igual modo o Memorial de Aires. Sem embargo de outras obras da primeira fase do autor, e uma infinidade de contos que não conheço. Vagar eu tenho, haja olhos!
Resumindo, caríssimos; lendo um livro, se há boa vontade e alguns neurônios, sempre se aprende alguma coisa. O principal é que há muito ainda por aprender!
E para fechar com pertinência e humor, cometo aqui uma paródia a Drumond:
Ah! livros, livros, melhor seria não os ler; mas se os não lemos, como aprender?


OBS: A paródia acima não é a Drumond, como está no texto, mas a Vinicius de Moraes. Os versos parodiados são estes: Filhos... Filhos?/Melhor não tê-los!/Mas se não os temos/Como sabê-lo?. Estão em "Poema enjoadinho", na Antologia Poética, Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 195.
Quem me alertou para o equívoco de autoria foi a minha amiga virtual Jussara Neves Rezende, do blog Minas de Mim. Obrigado Jussara!

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Me faça esse carinho  

7 comentários:

Beatriz Paulistana disse...

Bom dia amigo Tonico!!!
Já li Machado de Assis, na minha adolescência (obrigação escolar)rsrsrs, mais agora quero ler: Memórias Póstumas de Brás Cubas, por gosto.
Tenha uma semana feliz e abençoada!!!
Abraços da Bia!!!

denise rangel disse...

Também gosto de ler teses, resenhas críticas e opiniões técnicas sobre as obras literárias. A perspectiva muda, ao lermos, com certeza.
Abraço, garoto

Antonio Reis disse...

Machado foi meu guia na literatura devido uma professora nos anos 70 apaixonada pela obra Machadiana e que me indicava os livros dele para ler. Inclusive comprei na epoca a obras completas dele incluindo criticas literarias.
Um bom livro nos abre caminhos maravilhosos, bom retorno ao Machado amigo.
Um abração terno.

Janicce disse...

Olá adorei conhecer seu blog e sua maneira de escrever.
As suas palavras onde diz que ainda há muito que aprender abre novas perspectivas na caminhada individual que todos temos; pela busca de algo novo.
Não importa o nivel que estamos o aprimoramento fortalece a alma.
E isso é muito bom.
abraços
janicce.

Luma Rosa disse...

Oi, João!
Nunca tive a paciência de ler um livro de crítica literária, mas já li um livro de Rubem Alves "comentado" e achei uma massada. Não sei ao certo porque não gosto e talvez goste de descobrir coisas por mim mesma, daí reler, reler, reler... e a cada nova leitura, novas descobertas. Admiro quem tem paciência com críticos (rs*) e adorei a sua paródia!
:)
Beijus,

Jussara Neves Rezende disse...

Outro dia vc deixou um comentário em um dos meus posts que me deixou muito feliz. Disse-me que havia lido um livro de crítica literária (deve ser este, né?) e que havia aproveitado muito, embora muita coisa fosse muito densa, própria para gente da área... e que o meu texto - acho que era aquele em que comento o poema de Cecília - ao contrário, era acessível a todas as pessoas. João Antônio... que alegria saber disso! Pois é isso mesmo que busco: a profundidade bem expressa a ponto de não ser difícil a ninguém... Muito bom saber que me faço entender!
Sobre o poema da Cecília, utilize-o, sim. Desculpe-me por não ter vindo antes lhe dizer que será um prazer descobrir o que vc vai fazer com ele.
A sua paródia ficou ótima, mas o autor, se não estou enganada, é o Vinícius de Moraes... e o poema de onde saiu o verso parodiado chama-se Enjoadinho, ou Poema Enjoadinho, algo assim.
Abraço,
Jussara - minasdemim

Joao Antonio Ventura disse...

Tem razão, Jussara, é do Vinícius, no Poema enjoadinho. Conheço esses versos de ouvir falar, talvez já um pouco deturpados, ou os li em algum lugar, não sei onde nem quando; a memória falha, a autoria se esvai... O meu pecado é não conhecer devidamente os autores e suas obras. Que me possam perdoar os poetas. De onde estão não me guardarão ressentimentos... Farei o registro da emenda no post.

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