12 de jul de 2014

A maldição da riqueza


Mal comparando, dizia eu no último post, o Brasil sofre da maldição da riqueza. Vamos então comparar.
Somos um país imensamente rico em recursos naturais: jazidas minerais generosas, fauna e flora diversificadas, clima variado e águas abundantes (ainda); imensidões de terras agriculturáveis, que nos permitem ser “o celeiro do mundo”. Então a nossa economia se mantém historicamente com as exportações de commodities minerais e agrícolas, de baixo valor agregado.
Já os países ou territórios pobres em recursos naturais, como Japão e os chamados tigres asiáticos (Hong Kong, Coreia do Sul, Singapura e Taiwan), entre outros, e mais recentemente a própria China, não podendo contar com riquezas naturais e precisando crescer, optaram por investir fortemente em educação, pesquisa, inovação tecnológica, industrialização. Tornaram-se desta forma exportadores de produtos industrializados com alto valor agregado. Nem precisa dizer quem leva a taça do desenvolvimento econômico.

Suécia 1958 - Brasil campeão - Pelé, Garrincha, Didi, Nilton Santos...

Trocando o campo econômico pelo campo do futebol.
Sempre fomos celeiro de excepcionais jogadores de futebol. Nas cinco Copas que conquistamos eles estavam lá, com técnica e arte, fazendo a diferença, decidindo partidas, frente a um futebol, no geral, de estilo europeu, mais duro, baseado na força física e na disciplina tática.  A partir de 1958 conquistamos cinco Copas praticamente à  custa desses craques excepcionais. Não havia força ou disciplina tática que superasse a habilidade dos craques.


Chile 1962 - Brasil bi - Garrincha, Didi, Nilton Santos; Amarildo substituiu Pelé.

México 1970 - Brasil tri - Pelé,Tostão, Jairzinho, Rivelino, Gerson...

Enquanto isso, os europeus admiravam o futebol sul-americano, em especial o do Brasil,  Admiravam e se inspiravam nele.

EUA 1994 - Brasil tetra - Romário, Bebeto... 

Após a derrota para o Brasil em 2002, no Japão, a Alemanha resolveu mudar tudo no seu futebol: investiu forte nas categorias de base, centros de treinamento e apoio ao atleta, reformulou conceitos e reciclou técnicos. Mais de uma década de planejamento, investimento e trabalho. Os resultados surgem agora. A Alemanha é realmente um time, organicamente, funcionalmente, sem depender  da excepcionalidade de um ou vários craques, tendo, porém, muitos bons atletas. E nos superou até no toque-de-bola, historicamente a característica do nosso futebol.


Japão 2002 - Brasil penta - Ronaldo, Kaká, Ronaldinho, Rivaldo...

E na safra atual o Brasil teve apenas um craque, o Neymar, que não jogou contra a Alemanha, e mesmo se jogasse…

Brasil 2014 semifinais- Festa teutônica

E é isto, meus queridos: ficamos pra trás também no futebol porque sempre tivemos grandes craques e portanto não investimos em outros aspectos essenciais ao esporte. O resto são detalhes.
Sei que não serve de consolo, mas tivemos uma copa, no dizer de muitos analistas, excepcional: maior média de gols dos últimos tempos, várias seleções sem tradição despontando no cenário e incomodando as favoritas, várias campeãs caindo já nas fases preliminares e o imprevisto “mineiraço”. E mais: não aconteceram grandes problemas relacionados ao evento e os brasileiros bateram um bolão, recebendo com simpatia e cordialidade os estrangeiros. E mais ainda: a polícia do Rio desbaratou uma quadrilha internacional de  cambistas – golaaaço!
Por tudo isto, é ou não é a Copa das Copas?

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7 comentários:

Isabella Góes disse...

Como dizem, sempre precisamos ver o lado bom das coisas, não é mesmo?! Muito bom os detalhes que nos deu, tio! Já não me recodava de muita coisa sobre o futebol brasileiro. E a citação dos tigres asiaticos foi perfeita!!! Bjs

Teresa disse...

"...ficamos pra trás também no futebol porque sempre tivemos grandes craques e portanto não investimos em outros aspectos essenciais ao esporte."...
Sim, queremos viver de imagem. Queremos ser o país do futebol, da Copa das Copas e, em breve, das Olimpíadas, sem cuidar de coisas essenciais. Um exemplo, é que em grande parte das escolas públicas do país sequer existe quadras para as obrigatórias aulas de Educação Física e a prática de esportes...

Antonio Reis disse...

Perfeita analise e conclusão sobre o que se entende por preparação para atingir objetivos.
E neste momento que leio o Brasil perdeu de novo por uma equipe organizada, que bem poderia estar na final.
Belo trabalho amigo.
Um abração.

Dulcinea Ventura disse...

No futebol com uma seleção de jovens jogadores, sem experiência de copas, é admissível derrotas, apesar de que já deveríamos ter aprendido a lição que "fabricar" estrelas é um risco. Quando nos apoiamos em uma estrela de futebol
sem dar o apoio técnico às demais estrelas, ficamos muito vulneráveis em
campo. Foi o que aconteceu com o caso Ronaldo Fenômeno na copa da França: foi neutralizado no seu desempenho em campo porque apresentou "convulsões" antes do jogo (sintoma que nunca havia acontecido com o jogador e
não mais aconteceu após esse jogo; porque o importante era neutralizar o
fenômeno, e com isto desestruturar os demais jogadores que tinham seu apoio
emocional nele. Desta vez foi só retirar o Neimar (a estrela do momento e apoio psicológico dos demais jogadores) para desestruturar facilmente a seleção/time
brasileiro. Já deveríamos ter aprendido a lição, e ter investido nos 12, ou nos 24, ou 36 jogadores, ou quantas mais seleções forem necessárias.
Por outro lado: como cobrar que o Brasil jogue bem no futebol, se o próprio Brasil como um TODO está "jogando" muito mau??? O que eu vi no gramado, é o que eu vejo na política e no povo brasileiro: povo desnorteado, mau orientado, porque é mau administrado; consequentemente não acreditando nas suas potencialidades, perdendo chance de ser realmente um grande povo; grande nação. Precisamos de muita disciplina, muita dedicação para que esse crescimento aconteça. E não perder tempo com politicas mesquinhas que visam os interesses de minorias (os "manda-chuvas" da nação), em detrimento das necessidades reais do povão (os jogadores anônimos/sem nome). Enquanto "fabricarmos" um jogador em detrimento dos demais, estaremos "carregando" esse placar de 7 X 1 em nossas vidas pesarosamente.....


denise rangel disse...

Infelizmente, para turista não ser incomodado, e o Brasil ficar bem na fita, a polícia deste governo truculentamente prendeu e coibiu direitos de cidadãos. Uma lástima.
abraço, garoto

Janicce disse...

Olá João tinha feito um comentário mas acho que não postou.
Então...belo post compactuo com a tua ideia.
Em todos os segmentos me parece que o país tem a mania de cair nos mesmos problemas. Agora o tapa na cara foi o futebol. Será que vai servir de lição?
Além da alta corrupção que sofremos os egos das nossas administrações são altos demais. Uma coisa que aprendi morando em Brasília: O governo são as pessoas cada um que vai pra lá acha um canto para os seus e muda seus ideais rapidinho.
Olhando por vários angulos talvez essa seja mesmo a copa das copas.
Obrigada pela visita lá no CérebroQuePulsa.
janicce.

Luma Rosa disse...

Oi, João!
Parece que quase tudo deu certo na Copa, menos a nossa seleção e a cassação do nosso direito de protesto.
Os alemães jogam futebol e não são burros. Foi o tempo em que jogador de futebol era taxado de ignorante. Jogávamos muito no passado e os jogadores eram vítimas de variados preconceitos e ganhavam muito mal. Até mesmo nos dias de hoje, apenas as estrelas do futebol ganham bem, pois meninos são explorados pelos clubes, ganhando apenas alojamento, comida e uma ajuda de custo que não passa de um salário mínimo. Tanta coisa para ajeitar no nosso futebol e começaram por contratar Dunga. Chego a pensar em conspiração para acabar de vez com o nosso futebol. A Beth Lilás fez um texto que recomendo para quem gosta de futebol: Da Glória ao Castigo
Boa semana!!
Beijus,

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