10 de jul de 2014

O “mineiraço”


Um pouco antes da Copa pretendia escrever uma  crônica com o título “Não haverá maracanaço”, uma alusão à Copa de 1950, no Maracanã. No meu entender, depois de cinco Copas conquistadas, com muitas derrotas nos intervalos e o amadurecimento do povo, que não é mais (pensava eu) a “pátria de chuteiras” mas as “chuteiras sem pátria”, como faziam supor algumas manifestações que vimos nas ruas durante o último ano; no meu entender não haveria mais espaço nos corações e mentes para um sentimento de tragédia como o que dominou a nação naquela oportunidade. Sentei-me algumas vezes ao teclado e a crônica não saiu. Faço-a agora, sob outro título.
E bola rolando, rolando bola…
Eis senão quando, para evitar talvez o mal maior, antecipam-se os deuses do futebol e mandam o MINEIRAÇO! E num escore arrasador, humilhante, trágico, histórico: 7 x 1!!!
Perplexidade, consternação, choro! Precisava tanto assim, deuses do futebol?
Não, não precisava. Mas a Seleção Brasileira não ajudou os deuses do futebol… Então os deuses teutônicos dançaram com a bola em campo arrasado!




Ah! deu branco, deu apagão, deu… desorganização geral. O time brasileiro não tinha consistência, não tinha coesão calcada na disciplina tática, o time não era um time realmente, mas um grupo de bons atletas. Só. Até porque precisa treinar muito para se ter um time, um organismo – onde o todo é maior que suas partes e estas interagem funcionalmente para o todo. Isto os alemães tinham e têm de sobra, à parte os bons atletas que também possuem.




Teve também a questão psicológica por se tratar de Copa no Brasil e os atletas, a maioria, jovens. Tanto que o Felipão não cansou de inventar estratégias para motivar o seu grupo. Mas só isto não basta.
Eu fiz dois concursos públicos bastante concorridos ao longo da minha vida. Não tive quem me motivasse, foi auto-motivação mesmo. Mas não fiquei só nisso, preparei-me exaustivamente – estudando – para ser aprovado, para vencer dentro de campo. A motivação serve para acreditar que é possível vencer; se alguém entra em campo pensando em derrota, já está derrotado. Mas a preparação, o treino, o estudo é que dão segurança, potencializam a motivação e levam à vitória no campo e na vida. A insegurança era óbvia,  apesar das motivações do Felipão: frente aos alemães (e  não só) era preciso fazer o primeiro gol para que a Seleção ficasse tranquila e tentasse equilibrar o jogo. E os alemães fizeram o primeiro, o segundo… Desmonte total da Seleção Brasileira! Depois foi um passeio, ou baile…
Agora, meus queridos, a lição a aprender é esta: ficamos para trás também no futebol. E que a verdadeira tragédia do povo brasileiro não é a dos campos de futebol, mas a que está fora deles: o atraso imenso na educação, na saúde e na segurança, entre outros, que já veem de décadas e irão além.




E nada de queimar a bandeira nacional, de execrar atletas, mesmo os que jogaram mal. Não são culpados. Os culpados estão a partir da Comissão Técnica, para trás ou para o alto. E que eles deixem a arrogância de lado e também consigam aprender a lição.
O que aconteceu no Mineirão, mal comparando… Não. Deixemos esta comparação para o próximo post. Abraços, queridos.

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Me faça esse carinho

6 comentários:

Rafael Ventura disse...

O Brasil está atrasado também no futebol, acho que essa afirmação resume bem nosso atual momento.

Rosimeri Barros disse...

Realmente, parecia estar tudo em stand by. O fato de que o pais com tantas prioridades, não tinha estrutura para sediar tal evento, e todo o imediatismo que precisávamos para mostrar nossas insatisfações e lutar por mudanças, não foi esquecido, mas o povo não digo resignado, mas desarmado da indignação, cedeu lugar à torcida por nossos atletas, a um Brasil vitorioso, mas o Brasil do futebol mostrou que é preciso acordar do sonho.

Luma Rosa disse...

Ai, Caramba! Queimar bandeira não é crime? Que raio de país é esse que mistura futebol com patriotismo? Só mesmo um povo xucro para cometer tal ato! Os alemães, além de terem a capacidade de serem campeões na Copa, são campeões nas áreas que você citou. Se falta saúde, segurança e educação para um país, falta tudo!
Temos agora que engolir esse caroço, pois outros virão!
Beijus,

Isabella Góes disse...

Nosso país está atrasado em tudo mesmo. Inclusive o pensamento do brasileiro.
Estão todos desmotivados, desacreditados, e muitos estão desorientados.

Gostei demais da crônica, tio!!! Bjks

Antonio Reis disse...

O que mais me incomoda é o patriotismo que só aceita o titulo.
É sabido que faltou garra, organização.
Boa cronica amigo com parabéns.
Neste momento mais lagrimas e vaias e uma chuva de charges nas redes.
O fim de um futebol que se pensou o melhor do mundo, mas nunca em coletivo.
Um abração.

Dulcinea Ventura disse...

Concordo com tua crônica e já fiz a minha comparação do que aconteceu com a seleção, que é o que acontece com o Brasil, em outro comentário/crônica do meu querido Vô Tônico. Abraços, Te amo muito, meu irmão!

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