A palmatória sumira no final do período letivo anterior, quando já se sabia da substituição da professora. Ótima oportunidade para dar sumiço àquele instrumento abominável! Por idéia própria ou coletiva, uma aluna do último ano levara a dita para sua casa, talvez encorajada pelo fato de não retornar no período seguinte. As meninas exultaram – estavam livres daquele terror! A nova professora, contudo, não engoliu o fato consumado, inquiriu as meninas e soube da estória.
E lá fomos nós, eu e o Quim, à casa da garota que escondia a palmatória, devolvida sem dificuldades. De nada adiantara o seu feito. Tudo voltaria a ser como antes (E não é assim com a maioria das revoltas?).
No regresso resolvemos, espertinhos que éramos, retardar a chegada e assim ganharmos a tarde a vadiar: encurtamos o passo, paramos, colhemos morangos, bebemos água fresca e deitamos na relva a olhar os desenhos que as nuvens formavam no céu. Aquilo é que era vida! Por fim, molhamos o rosto para fingir suor e voltamos à escola ao final da tarde. Por certo a professora acreditaria em nossa simulação, já que nada sabia das lonjuras daquele lugar onde viera lecionar. Entregamos a palmatória à professora, que assim ficou devidamente aparelhada para exercer sua função pedagógica. Isto feito, sentamos numa carteira esperando o término da aula. Mas, pelo visto, a professora também era espertinha e não acreditou no suor dos nossos rostos, prolongando a aula o quanto pode. Nunca saímos tão tarde da escola!
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Me faça esse carinho
1 comentários:
Que judieira essa história da palmatória, heim? Não posso aceitar o desmando que virou a sala de aula, mas a palmatória era uma agressão :(
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