20 de mai de 2011

Uma historinha infantil para adultos - epílogo

(leia primeiro as partes 1e2, abaixo)

Quando acordou, uma luz intensa varava suas pálpebras e atingia suas retinas cansadas. Abriu os olhos devagarinho, protegendo-os com a palma da mão. Brotando do chão à sua frente, quase aos seus pés, o tão procurado arco-íris, do vermelho ao violeta matizado, resplandecente e lindo! Eufórico, o velho levantou-se de um salto. Mas não havia panela de ouro ou qualquer coisa que semelhasse um tesouro. Decepcionado e triste, o velho lamentou-se por toda uma vida perdida.

- Que fiz eu da minha vida? Loucura, só loucura! E aquele contador de histórias, que grande trapaceiro! Não há panela de ouro, nem uma pepita sequer... Era tudo mentira!... Mais valera cultivar flores e aprender a dançar com aquela mocinha... e ter filhos com ela...

Raivoso e fora de si, o velho lançou-se aos socos e pontapés na base do arco-íris. Então percebeu que podia agarrá-lo, subir nele, montá-lo. E assim fez e foi caminhando nele com se fora uma estrada – a mais linda estrada de sua vida! E, quem sabe, o tesouro não estaria na outra ponta do arco-íris...

Passou as nuvens e alcançou as estrelas. Uma música antiga, que parecia conhecer, soou nos seus ouvidos e uma figura, ainda distante, rodopiou no espaço: era a mocinha da festa de casamento, dançando nas estrelas! Ah! que vontade de dançar com ela! Mas a bailarina das estrelas aproximou-se, dançou ao seu redor, sorriu e desapareceu no infinito.

O velho caminhou um pouco mais e viu outra figura entre as estrelas: era o floricultor cuidando de suas flores. E como eram lindas, as flores! Ou seriam estrelas?

Ainda admirado com o que via, o velho prosseguiu na sua caminhada sobre a estrada de luz. Uma estrela cadente riscou o céu. E mais outra. E outra mais. Uma chuva de estrelas cadentes! E todas vinham do mesmo lugar no espaço, como se algo ou alguém as impelisse. O velho continuou a caminhar, tentando entender o que acontecia, até finalmente reconhecer: era a menina de tranças arremessando estrelas no espaço, como se fossem pedrinhas sobre as águas de um regato!

- Brinca comigo... – disse a menina ao velho.

O velho sorriu, pegou-a pela mão e saiu, saltitando com ela nas estrelas. E era menino outra vez...


FIM

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